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Médico bom, médico mau. A ciência nas mãos de quem tem as piores intenções

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ellê

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Fugitivo Pro
Fugitivo Pro
Viagem de dois patologistas forenses ao lado mais negro da medicina.


Médico deu cocktail de Lorazepam e Midazolam a Michael Jackson. Horas depois estava morto.

"Talvez se mostrarmos as maçãs podres da nossa profissão, as pessoas possam perceber que os médicos têm falhas e fraquezas humanas", responde Stephen Cina, patologista forense em Fort Lauderdale, Flórida. É uma das razões para o livro "When Doctors Kill", uma antologia de médicos serial-killers, terroristas, casos de negligência e vítimas daquela que é considerada a mais gritante epidemia neste momento: prescrições abusivas de medicamentos, problema que os autores defendem estar por trás da morte de estrelas como Judy Garland, em 1969, ou Michael Jackson, no ano passado.

O livro foi publicado este Verão nos Estados Unidos. Cina, anatomista conceituado, trabalhou com o co-autor Joshua A. Perper, patologista romeno a viver na Flórida com memórias pesadas, como ter escapado à perseguição nazi durante a Segunda Guerra Mundial. No final de carreira, e com centenas de autópsias cada um, decidiram investigar os atentados à ética na medicina ao longo da história para ajudar a sociedade a perdoar as falhas mais inocentes do dia-a- -dia. "Acabámos por perceber que mesmo as pessoas mais inteligentes não têm noção dos homicídios praticados pelos médicos, o que vai muito além dos casos mais conhecidos de negligência involuntária", diz Perper. "O que descobrimos sobre a experiências médicas em prisioneiros, cidadãos e militares foi perturbador. Outro dado impressionante é a quantidade de médicos que integram movimentos terroristas", adianta Cina.

De acordo com os autores, os Estados Unidos batem recordes em matéria de serial-killers. "Com 6% da população mundial, deram a origem a mais de três quartos dos casos conhecidos. As tendências mostram que a prevalência está a aumentar", escrevem no livro. Entre 1900 e 1959 registaram-se em média 1,7 novos casos por ano. Já a partir de 1990 são 36, um aumento de 940% em três décadas - na Europa a média é de 17 novos casos. Destes, são menos os casos que envolvem médicos, mas os exemplos chegam de todos os países e, segundo os investigadores, de forma proporcional ao mediatismo de que são alvo. Quanto aos motivos, a história também não permite grandes conclusões: "Tendem a ser sociopatas egocêntricos que desprezam ou são indiferentes ao sofrimento das pessoas." Inato ou adquirido? "Até hoje não é conhecido o historial familiar típico de um serial-killer, nem foi descoberto o gene do homicida", escrevem os autores.

Cina e Perper acreditam que tentar perceber o que motiva alguns médicos a abdicar do juramento de Hipócrates pode ser pedagógico. O nazismo é apresentado como caso de estudo: estima-se que 45% dos médicos alemães se tenham tornado militantes do partido nazi. Ainda antes de chegar ao poder, Hitler já tinha o apoio de 2790 médicos, 6% do total. O massacre em Fort Hood, em Novembro do ano passado, é outro exemplo: segundo os investigadores, foram várias as pistas de instabilidade e fanatismo religioso dadas pelo psicoterapeuta Nidal Malik Hasan, major do Exército que matou 13 pessoas num atentado na base militar no Texas. Sublinham que, se o caso pode suscitar uma maior vigilância, também é verdade que agravará algumas políticas discriminatórias em relação à comunidade muçulmana, mais exposta desde o 11 de Setembro. "Mas se este médico matou e feriu 40 pessoas em sete minutos, o que poderia uma célula terrorista com quatro ou cinco soldados infiltrados no exército fazer a toda a unidade durante uma ofensiva contra a Al Qaeda?", perguntam.

Além destes casos, Cina e Perper acreditam que as manifestações de falta de ética que mais têm escapado impunes estão por trás do número crescente de overdoses com medicamentos, que têm entre os famosos a face mais visível. Só nos EUA, o número de hospitalizações relacionadas com o abuso de medicação prescrita - antidepressivos e soporíferos - aumentou 65% desde 1999.

Fonte: i

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