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Opinião - A espargata perigosa do país; Por: Fernando Santos

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ritandrade


AdminFuga
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Os portugueses são pouco dados à prática do exercício físico. Muitos envergam fatos de treino e sapatilhas de marca em passeios de fim de semana pelos centros comerciais e supermercados mas não vão além do estilo. As barriguinhas não enganam. E afinal de contas, além de um problema de mentalidade, uma boa parte dos cidadãos entende já se ginasticar o suficiente na vivência do quotidiano.

É do conhecimento universal: as dificuldades portuguesas agravam-se todos os dias. A par de um enorme esforço de criatividade para sobreviver segundo padrões dignos, a crise obriga a autênticas cambalhotas na vida de muitos.

O país, pelo sim, pelo não, vive em (imaginária) posição de espargata. Marcado pela impossibilidade de se amplificar a figura, um exercício que contém riscos para quem não domina todas as variáveis.

De tão fácil a conclusão, fica difícil não se perceber quanto é grave a falta de um ponto de equilíbrio.

De um lado é evidente a falta de capacidade de o país gerar receitas pela via da produção de bens transacionáveis, o que obriga ao uso da via fácil do causticar cidadãos e empresas com mais e mais impostos (os 5% de dedução em sede de IRS das faturas da ida aos cabeleireiros só são apelativos para quem pensou a decisão em Conselho de Ministros!). Por outro, o padrão geral das despesas vive entre duas realidades: a falta de coragem de combater interesses instalados e formatar verdadeiras reformas e a indispensável exigência de reforçar políticas de apoio social.

Está na cara o resultado de uma tal dicotomia.

Agrava-se todos os dias o ambiente geral do país.

Sempre que se cenarizam fechos de serviços, sejam eles de tribunais, escolas, hospitais, correios, repartições de finanças, o que quer que seja, fica montado o rastilho da exacerbação de populações inteiras. Escasseia a explicação, desejavelmente acompanhada de racionalidade bastante. A legitimidade da reclamação de direitos é proporcional na argumentação à incapacidade de o Estado afrontar interesses instalados, estejam eles situados no conluio dos grandes escritórios de advogados e de grandes empresas cujo estatuto parece ser o de donas do território (a incapacidade para renegociar os contratos com as PPP é flagrante exemplo). E como se fosse um cenário ligeiro, a própria máquina administrativa do país também não se move, tantos são os capatazes dos aparelhos partidários a necessitarem de ser alimentados. Cortar fundações? Exterminar empresas públicas municipais? Pôr fim a autarquias? Qual quê! Há um remar para trás consequente.

Não está fácil a situação.

E é por isso que a espargata é uma posição cada vez mais de risco.

É preciso todos contribuírem para um ponto de equilíbrio. De outro modo será pior a (tentativa de) emenda do que o soneto. É impossível todos quererem - e obterem - tudo todo o tempo.

jn



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