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Política baseada em medicamentos genéricos "está a morrer", diz Paulo Mendo

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ritandrade


AdminFuga
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O antigo ministro Paulo Mendo considera que o Governo está a insistir numa política do medicamento, baseada nos genéricos, que "está a morrer" e defende a aposta numa "melhor informação" do médico para receitar o "menos possível" a "bem do doente".

Paulo Mendo, que "aplaudiu" o veto do Presidente da República, Cavaco Silva, ao diploma sobre prescrição de medicamentos por substância activa, diz à agência Lusa que a política do medicamento "desapareceu" em Portugal.

"Não temos nenhuma política do medicamento a não ser ir à indústria buscar dinheiro. E nessa procura de poupanças está perfeitamente violado o princípio aceite por este Governo no seu programa que é considerarem a indústria farmacêutica prioritária e nem sequer lhes pagam", adianta o antigo ministro da Saúde do Governo de Cavaco Silva.

Por outro lado, acrescenta, do "ponto de vista político, não tem sentido uma política baseada nos genéricos, um produto que está no fim da vida. Já viveu 15 anos, passou a domínio público e vai acabar".

Entretanto, prosseguiu, "deixamos que as novas moléculas, que os novos medicamentos e a própria indústria se tenha desviado daquilo que é mais importante - os medicamentos que estão a chegar ao mercado - e estamos a insistir de todas as maneiras numa política do medicamento que está a morrer".

Para Paulo Mendo, a receita por Denominação Comum Internacional (substância activa) é uma decisão "muito afastada da realidade da clínica" e é "mais uma contribuição na desumanização do ato médico, a que se tem assistido nos últimos anos".

Como médico há 40 anos, Paulo Mendo afirma que é o clínico que diz ao doente a melhor forma como deve tomar o medicamento e isso é "incomportável com uma variação constante dos medicamentos que são semelhantes, mas não são iguais".

Se o utente for à farmácia e lhe dizem aquilo que tem de tomar, tudo isso "perturba o doente e afasta-o da realidade que é o acto médico".

Assim, é "muito difícil o médico estabelecer com o seu doente uma forma estudada e cúmplice na tomada de um medicamento", salienta.

Para o antigo ministro, o problema não é meramente económico: "Se o problema fosse apenas económico e se verificassem que estava a haver um excesso de medicação, o que se tem de fazer é disciplinar as origens".

E as origens, explicou, estão na política de medicamento, que tem "obrigatoriamente de fazer com que o médico tenha muito mais tempo e seja muito melhor informado da forma de receitar o menos possível para o bem do doente e não para poupar dinheiro". Desta maneira, defendeu, o sistema iria conseguir poupar.

Mas se o objectivo é racionalizar, Paulo Mendo deixa uma mensagem: "Meus caros, durante um ano vamos fazer assim porque não temos dinheiro, mas não vamos fazer disso uma política. Vamos dizer um recurso desgraçado a que o país está obrigado a fazer porque estamos falidos".

jn



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