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Proteína ajuda a impedir que os cromossomas se colem

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joaninha


Fuga Power
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As extremidades dos cromossomas funcionam como relógios das células. A cada divisão, estas estruturas chamadas telómeros vão diminuindo de tamanho até ficarem demasiado pequenas para manter a coerência da molécula. Se tudo correr bem, a célula morre.



Os telómeros, por serem o fim do cromossoma, podem ser confundidos com ADN “quebrado” e serem colados, originando grandes cromossomas. Uma equipa do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, identificou uma proteína que ajuda a impedir este processo. A descoberta é publicada hoje na revista Nature.

Os cromossomas em forma de X que estamos habituados a ver só existem quando a célula se divide, grande parte do tempo a molécula é uma serpentina esticada com o ADN e proteínas ligados, chamada cromatina.

Quando o ADN sofre acidentes, há um grupo de proteínas que restaura os cromossomas partidos numa série de reacções. Durante este processo a divisão celular é obrigada a parar. Se isso acontecesse aos telómeros teríamos vários cromossomas colados uns aos outros, o que originaria o caos nas sucessivas divisões, com cromossomas a mais numas células e a menos noutras.

Os extremos dos telómeros terminam com uma estrutura em forma de gancho redondo a fechar o cromossoma. Este gancho forma-se devido a um complexo de proteínas. Já se sabia que estes complexos impediam a célula de “remendar” os telómeros. A equipa do IGC foi compreender estes detalhes.

Para isso utilizaram a levedura Schizosaccharomyces pombe e criaram um mutante sem uma das proteínas deste complexo. Depois, foram testando várias modificações até terem sinais de que a divisão celular iria parar. “Quando o Tiago Carneiro [o primeiro autor do artigo] conseguiu obrigar uma das proteínas, a Crb2, a estar presente nos telómeros, foi o momento eureka”, disse ao PÚBLICO Miguel Godinho, último autor. A função da Crb2 determina a paragem.

No resto do cromossoma o processo dá-se naturalmente, mas no telómero não: a histona 4, que está agarrada ao ADN e que costuma recrutar a Crb2, está alterada aqui. “Esta via é iniciada, mas nos telómeros a cromatina é diferente e a via não acontece”, diz o cientista. Isto demonstra um paradigma que ainda é recente: “A informação está contida nas proteínas que estão ligadas ao ADN.”

A equipa vai agora tentar compreender as mudanças na cromatina dos telómeros ao longo do envelhecimento, quando estes diminuem de tamanho e forçam as células a morrer. O aparecimento do cancro passa por travar este processo. O cientista explica que a medicina está a aprender a lição de Darwin: “A vida consegue adaptar-se a novos ambientes. Se existir uma barreira, há formas de contorná-la com tentativas suficientes, é o que se passa com o cancro.”

Publico

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